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Incentivo à cultura trouxe aos jovens de Fernandópolis responsabilidade e elevação da autoestima
Nova geração mantém o sopro das artes deixado por idealizadores da década de 70
POR DANIELA ORTOLAN E THIAGO ESCREMIN

As facetas artísticas de Fernandópolis, interior de São Paulo
O teatro é um dos movimentos artísticos que mais envolve as expressões do corpo e da mente e, também, o que mais requer compreensão histórico-social e dos sentimentos. E é isso que motivou os profissionais da educação a incentivar a introdução dessa arte na escola. Os educadores têm notado que as artes cênicas podem ser instrumento eficiente para desinibir os alunos introvertidos de hoje.
Juliana Buosi Shiroma, 27 anos, coordenadora do Ensino Médio e professora de Língua Portuguesa da Escola Técnica Estadual – Centro Paula Souza – de Fernandópolis, foi a primeira a incentivar o teatro na escola, que está em atividade há quase três anos – dois com teatro gratuito aos alunos interessados. “O estudo de texto teatral incentiva a ler outros textos relacionados e, com isso, eles (os alunos) conseguem gerir e gerar novas ideias, amadurecendo-os como leitores e redatores”, afirma Juliana.
Nas oficinas e durante as montagens de peças o ator-estudante trabalha o corpo, a respiração e a concentração, aprendendo a se conhecer melhor, se avaliar e se gostar, pois o seu instrumento de trabalho é o corpo e como ele se relaciona com o mundo. A educadora sente melhoras quanto aos trabalhos em grupo. “Os alunos do teatro se relacionam melhor em grupo, são mais solidários e conseguem explorar o potencial cognitivo, psicológico e social”.
As mudanças não acontecem somente nas salas de aula. Em casa, os pais também percebem mudanças. Para a mãe da aluna Isabela Campoli, Maria Laide Campoli Medeiros, 44, escrevente técnico-judiciário, o teatro proporcionou melhores diálogos em casa. “Minha filha não é mais tão tímida, se expressa melhor falando e escrevendo e está cada dia mais amorosa dentro de casa”.
E quando o assunto é teatro, não há discussões e nem repressões. Os ensaios são sagrados para Isabela. “Ela gosta muito de fazer teatro e o melhor foi que ninguém precisou incentivar, partiu dela. A semana que não tem ensaio, minha filha sente falta”, diz Laide.
Em Fernandópolis essa prática é exercida há anos na maioria das escolas estaduais, municipais e particulares. Os alunos montam anualmente suas peças, sempre com a supervisão de algum professor ou profissional da área e, por fim, apresentam na Mostra Estudantil de Teatro – o maior evento da arte na cidade.
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